Pessoas Maravilhosas I : Kika

Então quem é essa moça anja que salvou nossas gatinhas das ruas?

Kika por Kika:

Desde bem pequena amo os animais. Quando tinha 1 aninho, minha mãe precisou dar uma tartaruga, porque eu vivia atrás dela beijando-a na boca.

Depois disso por muitas vezes eu insistia para ter um bichinho a cada vez que me deparava com um. Meus pais acabavam concordando e tudo que eu fazia era ficar cuidando deles, brincando com eles. Tinha nessa época a ter 5 cachorros, 5 coelhos, 5 micos e um papagaio.





Porém cada vez que um morria, eu sofria demais mesmo. Então depois de adulta decidi não ter mais bichos.
Mas logo que engravidei, e me mudei, encontrei uma turma de gatinhos onde eu morava, que eu cuidava na minha porta, pois na época era casada e o ex-marido não queria bichos. Mas começaram a envenenar os bichinhos, e eu tive que tirar os sobreviventes e levá-los para outro local.

Então minha filha cresceu e começou a insistir muito para que eu tivesse outro bichinho. Eu acabei cedendo, e fomos procurar bichinhos, acabei trazendo pra casa um cachorrinho, o Stitch, um casal de hamsters, e peixinhos.

Nessa época comecei a frequentar o multiply e acabei conhecendo a triste história de abandono de animais. Resolvi adotar uma gatinha que vivia na casa de uma protetora que tem mais de 100 animais, escolhi uma pretinha porque são geralmente rejeitados. E daí veio minha Lilo. Logo em seguida conheci a Pompom, que era da casa de uma moça que não podia cuidar dela, e que os vizinhos estavam, jogando pedras e veneno. Foi paixão à primeira vista, fui buscá-la e trouxe uma outra preta pequenina que estava junto, na mesma situação, a Nani, paixão da minha filha.
Então, procurando um gatinho para um amigo que queria adotar, acabei me apaixonando perdidamente e adotando os dois últimos que vieram para mim por minha escolha, Thor e Mingau, pois um deles era para meu amigo, mas os gatos dele já velhinhos adoeceram e ele não quis mais. Depois disso a cada bichinho que entrava na minha vida era em situações que com certeza foram enviadas para mim para que eu ajudasse, pois já encontrei uma gatinha até dentro do motor de um carro no G3 de um Shopping, que foi doada para um grande amigo.

Os primeiros desse grupo que vieram foi a família Frajinha, que apareceu no meu condomínio, uma mãe gata com seus 4 filhotes, Fênix, Tom, Juju e Frajola, sendo que 2 deles haviam sido espancados. Um deles tão brutamente que teve que abrir a barriga para recolocar o intestino no lugar, pois não o estava deixando respirar. O outro, todo ensaguentado, anda tortinho até hoje. Essa gatinha já veio das ruas grávida de mais 5 gatinhos, Arthur, Gray, Lancelot, Ana e Kiara.
Nessa época era muito difícil pra mim doar os gatinhos que eu cuidava, alguns porque não apareciam interessados, outros, porque me apegava demais, como me apego hoje, mas tive que passar a doar, por amor a eles, para poder ajudar os novos que chegam.


Então, atendendo a um apelo de uma protetora de Ramos, que conheci e foi amiga minha tempos atrás, eu acolhi mais 3 bebês, recém-nascidos jogados num valão, para que minha Frajinha amamentasse, foi difícil, ela quase rejeitou os próprios filhotes, eu a fazia amamentar segurando à força e ela acabou adotando os novos bebês num gesto lindo, tomando um deles da mão do veterinário e levando com a boca pra dentro da caixa de transporte. Só um sobreviveu, o Nemo, mesmo eu tendo tentado de tudo para salvar os outros, tendo levado nos veterinários mais caros especializados em gatos. Me deparei através dessa pessoa com mais locais de abandono, e via filhotes e mais filhotes sendo despejados como lixo, e morrendo, um atrás do outro, atropelados, envenenados, doentes na rua, sem ajuda.

Não consegui ficar inerte diante disso e comecei a tentar ajudar, levando-os para doar na pet shop, ou pela internet, porém muitos vinham doentinhos e levavam meses para se recuperar, e cresciam, dificultando ainda mais de serem adotados.

Perdi muitos gatinhos e gastei muito dinheiro em milhões de veterinários tentando salvar os filhotes da morte que sempre os levava: a verminose e parasitose. E não eram parasitas que morressem com remédios comuns para vermes. Demorou até que eu acertasse os remédios, unindo informações de diferentes veterinários e diferentes estudos. Porém quando acertei, consegui salvar muitos da morte certa. E não conseguia vê-los na rua morrendo, trouxe alguns, outros tratei nas ruas, na praça, onde se castram animais e onde é, hilariamente, outro ponto de abandono, outros consegui novos lares.

Mas depois disso ainda me deparei e me deparo muitas vezes com muitos bichinhos que precisavam/precisam de mim. Alguns eram covardemente abandonados sem nem saber comer, passei noites dando mamadeira. Outros tinham uma casa, e foram largados na rua sem saber mais se defender. Outros foram deixados pra trás porque ficaram doentes.

E essa é a rotina do abandono com a qual tenho convivido. As pessoas ainda pensam que a rua da cidade grande é um bom lugar para esses bichinho viverem, que eles saberão se virar nas ruas, mas não tem idéia do que esses bichinhos passam e quantos morrem diariamente.

"Quando se é capaz de lutar por animais, também se é capaz de lutar por crianças ou idosos. Não há bons ou maus combates, existe somente o horror ao sofrimento aplicado aos mais fracos, que não podem se defender."